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Livro "Reflexões Sobre a Música Gospel Brasileira: Um Olhar Crítico", de José Ruy P. de Castro

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José Ruy Pimentel de Castro, ou Zé Ruy, é vice-presidente do Instituto Política Global, professor, músico, cantor, compositor e poeta. É bacharel em Relações Internacionais pela UVV, licenciado pleno em Letras-Inglês pela UFES e mestrando em Relações Internacionais pela UNLP (Universidad Nacional de La Plata/Argentina). Autor do livro de poesias "Tricotomo", pela CBJE, e do livro "Reflexões Sobre a Música Gospel Brasileira: Um Olhar Crítico", pela Oxigênio Books em parceria com a Arte Editorial. Seu nome artístico em suas obras musicais é Zé Ruy e sua última obra foi lançada em 2008 intitulada "Será Que Existe Alguém Pra Nos Salvar?". O artista faz parte do cast da gravadora Oxigênio Records.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

LEVITAS?

- Sobre as canções do evangelho capenga -
- Texto de autoria de Giancarlo Marx e extraído do blog Genizah http://www.genizahvirtual.com -


Como alguns já sabem, eu sou músico, e atuo com música na igreja há alguns anos. Pra terem uma idéia, aos 7 anos mais ou menos (quando comecei a "violar o tocão") no meio do culto pedia pro meu pai abrir espaço pra eu sentar no palco e tocar uma das duas canções que eu conhecia: "Meu Barco é Pequeno", ou então "Quando Estou com o Povo de Deus", verdadeiros clássicos do cancioneiro cristão (rs).


Vinte e dois anos se passaram desde o garotinho com duas músicas no repertório, nesse tempo eu vi e ouvi muita coisa. Desde a superproduzida galera do Salt, passando pelos "corinhos" singelos e desafinados da Romilda. O som adolescente do Rebanhão, o rock rebelde do Brother Simion. Até chegarem os importados Maranata! e Hosana! (pra quem não conhece, eram dois selos americanos rivais, o avós do Hillsong e do LifeHouse).


Talvez uma das mudanças mais destrutivas que vi nesse período tenha sido a transformação do serviço de música em "Ministério Levítico". Há até o absurdo de um projeto para um programa estilo "Ídolos" que se chamaria "Levitas". Felizmente o projeto não saiu do papel (ainda).


Primeiramente o que é um levita? Trata-se de uma famíla, uma das 12 tribos de Israel, que era destinada a TODO serviço no tabernáculo, e mais tarde no templo. Eles eram músicos. Mas também eram porteiros, faxinheiros, sacerdotes.


Acender o menorá, trocar os pães da preposição, a água da bacia, isso era função do levita. Também eram carregadores. Somente eles eram autorizados a carregar a arca da aliança e as partes do tabernáculo, que eles mesmos montavam e desmontavam sempre que a nuvem ou a coluna de fogo estacionassem em algum ponto do deserto.


Então a música era apenas uma dentre tantas funções dos levitas. Curiosamente o livro de "Levítico" não tem nenhuma canção.


Nesse ponto alguns chegam a pensar: "Então todo mundo que trabalha na igreja deveria ser chamado de levita"... Ao que caberia a resposta: "Se essa igreja não fosse cristã, pode até ser".


Isso porque Jesus, o fundador da SUA igreja, não era levita. Ele era da tribo de Judá, certo? Logo aqueles que foram gerados nele não são gerados pela linhagem de Levi. Isso dá um nó na cabeça.


No capítulo 7 do livro de Hebreus há uma excelente explanação sobre o tema. Sobre Jesus, Paulo afirma que ele é "sacerdote eternamente segundo a ordem de Melquisedeque".


"De sorte que, se a perfeição fosse pelo sacerdócio levítico (porque sob ele o povo recebeu a lei), que necessidade havia logo de que outro sacerdote se levantasse, segundo a ordem de Melquisedeque, e não fosse chamado segundo a ordem de Arão?"


Então Jesus e nenhum de seus seguidores são feitos levitas. (nem mesmo os músicos... rs)


O que nos leva a outro ponto ainda mais delicado. Vejo muita gente falando em "Ministério de Música" ou o pior ainda "Ministério de Louvor e Adoração". Oras, se é de fato um ministério de Louvor e Adoração, podemos definir o que é Louvor e Adoração?


Tecnicamente falando, ja ouvi o Gerson Ortega definir (em linhas gerais) Louvor como exaltação, e adoração como Gratidão. Gostei demais. Mas parece que ele esqueceu de botar a música na parada. Sim, pois os "ministérios de louvor e adoração" que conheço são todos de músicos.


Num outro artigo meu publicado aqui cheguei a definir adoração em espírito e em verdade. Se você der uma olhadinha la vai perceber que essas coisas não são do tipo que podemos confiar que outros façam pela gente. Louvar e adorar não são "ministérios", mas sim atitude daqueles que conhecem o amor de Deus.


Também não gosto de chamar as músicas cristãs de "louvores". Afinal, a canção pode se tornar louvor de acordo com o coração de quem canta. Ou pode se tornar vergonha para Deus, se for entoada em glória própria. Logo uma música também não é louvor, tanto quanto um prato não é comida e um copo não é bebida. A música é apenas um dos possíveis recipientes do louvor, que pode ser expresso das mais diversas formas. Até mesmo lavando os pés do mestre com suas lágrimas e os enxugando com seus cabelos. Quem diria que uma higienização tão peculiar poderia ser uma manifestação de louvor?


Se para você (assim como para mim) parece que ao chamarmos os músicos cristãos apenas de "músicos", e as músicas cristãs apenas de "músicas" estaremos rebaixando-as de categoria, então aparentemente estamos no caminho certo.


"Porquanto qualquer que a si mesmo se exaltar será humilhado, e aquele que a si mesmo se humilhar será exaltado." Lucas 14:11

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

O EVANGELHO INTERESSEIRO

- Sobre o evangelho capenga das canções -

Essa faceta do evangelho pós-moderno está profundamente ligada ao que chamei anteriormente de evangelho individual. Poderia dizer, aliás, que este artigo é uma continuação do artigo homônimo citado. Vou, portanto, com este artigo, ampliar o que já foi discutido. Sugiro, para melhor entendimento, que o leitor leia antes o artigo intitulado “O evangelho dos meios”, pois o autor referenciado nesse artigo também é Charles Finney.


Tentando explicar os vários pensamentos e teorias a respeito da obrigação moral que possui aquele que exerce o governo moral, Finney cita a Teoria do Interesse Próprio de Paley. As pessoas que pensam a obrigação moral através do prisma dessa teoria de Paley acabam agindo como se o próprio interesse fosse o bem supremo a ser buscado.


Talvez o leitor ache um absurdo que alguém pense de forma tão interesseira, mas temos de constatar que muitos cristãos pelo menos agem dessa maneira. A falta de amor de alguns por si só já é uma constatação de que não se considera o semelhante da mesma forma ou até mesmo de forma superior a si próprio. As práticas em nossas igrejas também não são tão diferentes; as mensagens dedicadas à satisfação do ego dos ouvintes e as canções entoadas com temas como “você vai vencer” também revelam isso. Nosso cristianismo realmente se tornou interesseiro.


É claro que esse nosso comportamento não se dá pelo entendimento da teoria de Paley, mas é possível encontrar reflexos dela num dos preceitos fundamentais do pentecostalismo; a chamada “fé no bom Deus”. Esse preceito diz que Deus é bom e que deseja o melhor para os Seus filhos. Deus deseja que Seus filhos sejam prósperos, abençoados, saudáveis, etc. Até aqui, tudo bem. Também creio num Deus bom e creio que a bondade dEle e a busca pelo bem-estar máximo do universo o obrigam a ser assim. O problema está em inverter a relação de importância, e isso é permitido pela fé no bom Deus. Por vários motivos, a fé no bom Deus pode servir para que líderes cristãos, visando contribuições altas ou uma igreja sempre cheia, invertam a relação de importância Deus>Interesse Próprio para Interesse Próprio>Deus. Obviamente, isso não é proclamado dos púlpitos (e creio até que muitos pastores e líderes cristãos, com base em suas vivências de “berço” evangélico, por exemplo, nem acredite ou realmente perceba que vive dessa forma. Sobre isso, falarei mais adiante.), mas o fato é que se age dessa forma e, implicitamente, inculca-se através das práticas religiosas a Teoria do Interesse Próprio de Paley.


A teologia da prosperidade, uma teologia claramente voltada ao interesse próprio, veio da fé no bom Deus. Esse é um bom exemplo de como se inverteu as relações.


Não quero dizer aqui que Deus não se importa com nossos problemas, ou que Ele esteja tão longe que não se importe conosco. Mais uma vez, estou alertando para que não invertamos a importância das coisas. É interessante observar hoje como as pessoas na igreja preferem ouvir palavras de satisfação pessoal ao invés de glorificarem a Deus por verdades perpétuas que perpassam a própria existência delas mesmas. Hoje, a mensagem da Cruz tem desaparecido dos púlpitos, as verdades eternas da santidade de Deus, da Sua dignidade e de Sua honra têm sumido de nossos cânticos. Temos preferido cantar sobre promessas e vitória sobre os nossos inimigos. Isso não é nada mais, nada menos que um evangelho interesseiro!


Que Deus nos ensine a viver um evangelho genuíno, tendo em vista sempre a glória dEle. Que possamos verdadeiramente dizer: “menos de nós, Senhor, e mais de Ti”.


* Referência: FINNEY, Charles. Teologia Sistemática. Rio de Janeiro: CPAD, 2001.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

O EVANGELHO INDIVIDUAL

- Sobre o evangelho capenga das canções -

Donald A. Carson, teólogo, em seu livro “Os perigos da interpretação bíblica”, adverte-nos quanto a falácias que podem ocorrer durante a interpretação dos textos bíblicos. Sua análise se divide em vários tipos de falácias que podem ocorrer com respeito à semântica de um texto, à lógica empregada, entre outros. É importante que tanto pregadores como ouvintes saibam, ou pelo menos tenham alguma noção, de quais serão as “ratoeiras” de entendimento que podem ser usadas, ou nas quais possamos cair, que mudam o entendimento do texto das escrituras.


Primeiramente, há de se convir que o entendimento exato do que um dia foi dito e/ou escrito está muito longe de se ter. O que ainda nos guia no entendimento do texto é o seu contexto. Sendo assim, várias falácias podem ser usadas para que se passe mais do que o texto deseja transmitir, ou para adaptá-lo às experiências pessoais de alguém a fim de que se passem por verdades absolutas baseadas num texto sagrado.


O que chamo de evangelho individual aqui neste artigo é exatamente o que Carson chama de “confusão de cosmovisões” dentro do capítulo de “falácias lógicas”. Como ele próprio define, essa falácia “consiste em alguém acreditar que a experiência e a interpretação da realidade individuais de uma pessoa são a estrutura adequada para se interpretar o texto bíblico”. Numa época em que a teologia da prosperidade impera e os cultos antropocêntricos se proliferam, não há nada mais perigoso que isso. Carson nos dá um exemplo de como isso pode acontecer: “Ouvimos a Palavra de Deus ordenando que tomemos nossa cruz e sigamos o Senhor Jesus Cristo, e transferimos de tal forma nossa experiência individual para o texto bíblico que nossa ‘cruz’ torna-se reumatismo, falta de dinheiro, um parente irascível, um colega de quarto desagradável, uma derrota pessoal ou mesmo (Deus nos perdoe!) um gracejo”. Tudo isso, Carson adverte, são coisas externas. Na verdade, a cruz para os cristãos do primeiro século era a morte dolorosa proporcionada por ela. Isso nos mostra que o entendimento de “cruz” deveria ser interno (nós devemos morrer) e não externo (um problema que venhamos a passar e sofrer).


Tal interpretação, em confusão de cosmovisões, nos faz adaptar os textos das escrituras àquilo que melhor nos convém. Quanto a isso, Carson diz que é necessário que, ao interpretarmos um texto, mantenhamos distância dele. “A menos que reconheçamos a distância que nos separa do texto que está sendo estudado, iremos negligenciar diferenças de perspectiva, vocabulário e interesse; e involuntariamente estaremos transferindo nossa carga mental para o texto, sem nos determos para questionar se isso é apropriado”.


O evangelho individual é aquele que se encaixa e é aplicado de acordo com nossas vontades e conceitos. Muito me espanta, e me faz ficar receoso do futuro de nosso cristianismo, que as pessoas venham à igreja apenas para assistir um culto ou “receber a chave da vitória”. As mensagens são direcionadas às emoções do povo, e quanto mais “glória a Deus” se dá, mais avivada entende-se que a igreja é. Mas será isso realmente o que o evangelho pleno tem a proporcionar aos crentes? Será que não há mais mensagens que venham de encontro ao modo de vida das pessoas para que elas mudem aquilo que não condiz com uma vida de servo de Deus?


Meu desejo, através deste texto, é o de que seus leitores possam estar atentos às manipulações que os que usam da preleção possam fazer e, além disso, submeter sua própria vontade ao texto sagrado, e não o contrário. Precisamos nos distanciar o bastante para não sucumbirmos aos caminhos mentais que possamos tomar diante do texto e que nos leve para longe do seu entendimento, tendo sempre o cuidado de não nos distanciarmos tanto que não venhamos a ser tocados pela Palavra de Deus.


* Referência: CARSON, Donald A. Os Perigos da Interpretação Bíblica. São Paulo: Vida Nova, 2005.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

ENTREVISTA: JOSÉ RUY PIMENTEL DE CASTRO

- Sobre as canções do evangelho capenga -

Entrevista: José Ruy de Castro Pimentel
Ele é professor, músico, cantor, compositor e poeta. Seu trabalho está baseado em três premissas: cantar o que gosta; cantar o que evangeliza e cantar o que reforma. O trabalho musical de José Ruy Pimentel de Castro está estreitamente vinculado ao Ministério Novo Canto, do qual foi líder durante anos, auxiliando o Ev. Geciel Santos.

Nessa conversa com a revista Comunhão, José Ruy fala das idéias que defende em seu recém-lançado livro, "Reflexões sobre a música gospel", onde leva o leitor a pensar o que seria, de fato, uma música evangélica e qual o papel que os músicos cristãos deveriam estar exercendo em prol da evolução espiritual dos crentes.


Produzido em dezembro de 2009 e lançado em janeiro de 2010 pela Oxigênio Books, em parceria com a Arte Editorial, o livro já contava com exemplares vendidos antes mesmo de sair da gráfica e é distribuído para todo o país, podendo ser adquirido através do site www.arteeditorial.com.br. O autor mantém um blog onde dá continuidade à discussão sobre os temas tratados na obra. Atualmente, José Ruy está em busca de parcerias para concretizar seu segundo álbum fonográfico. Seu trabalho musical pode ser conferido no site www.myspace.com/zeruy .


Comunhão: O que o motivou a escrever e publicar o livro "Reflexões sobre a música gospel brasileira"?

José Ruy: Eu costumava comprar muitas publicações sobre música gospel, como "O Levita", "Jubilão" e "CCM Magazine". Todas elas traziam como brinde CDs com canções ‘gospel'. Assim, verifiquei uma mudança nas mensagens e nas tendências da música dita gospel, mudança essa que, creio, a levou a ser música muito mais de gênero do que efetivamente cristã. Sendo assim, o livro é minha tentativa apaixonada de alcançar pessoas que possam fazer uma reflexão crítica a respeito daquilo que estão cantando e que possam, a partir dessa reflexão, agir para que possamos ter no Brasil uma música mais cristã sendo feita e ouvida.


O que você espera, efetivamente, a partir da publicação do livro?
Espero ser um agente desconstrutor de tudo aquilo que foi feito na primeira década desse novo século, a qual, para mim, pode ser chamada de ‘década perdida' na música cristã, assim como os anos 80 foram chamados de ‘década perdida' na economia. Muito pouco em contribuição para o Cristianismo poderá ser tirado dela. Os temas das músicas gospel são efêmeros, seguem os modismos mais recentes, os jargões mais populares... É apenas uma designação de gênero musical para se encaixar em termos mercadológicos criados por músicos cristãos para evidenciar canções evangélicas. Resumindo: espero que a música consumida pelos cristãos seja mais cristã! Espero que o meu livro alerte a todos sobre a necessidade disso.


Como você avalia que deverá se configurar o mercado fonográfico cristão brasileiro com a entrada e atuação da Sony e outras gigantes seculares do setor? Isso será bom ou ruim para os músicos e para o público?
Eu vejo com olhos muito positivos. Isso trará uma maior profissionalização e maior oportunidade para artistas cristãos e/ou gospel. A tendência é que esse mercado leve ainda outras gravadoras seculares a criarem selos gospel, assim como já é feito nos EUA há algum tempo. Isso acontece porque a pirataria é menor no meio gospel, devido ao respeito a princípios éticos e morais por parte dos cristãos. Para o público, espero que tudo isso se transforme em produtos mais baratos. Apenas, do mercado não haverá qualquer tentativa de modificar a mensagem gospel, que faz tanto sucesso. Isso tem de partir, portanto, da igreja, músicos e ouvintes da música gospel. Se quisermos uma música gospel mais cristã, teremos, como igreja, de fazer a nossa parte.


Você defende que é preciso discernimento quanto à mensagem trazida pelas músicas que se ouve, e não a orientação por rótulos (música cristã x secular). Por outro lado, aponta a generalizada falta de espírito crítico e de suficiente conhecimento bíblico para tal. Como sair dessa situação?
Precisamos de cultura, maior incentivo à leitura, conscientização da importância disso para uma sociedade melhor e também investimento governamental em áreas essenciais. Creio, entretanto, que a maioria das pessoas não exerce o espírito crítico não por escolarização pouco adequada ou falta de inteligência, mas devido a não serem incentivadas a agir assim. É aqui que posso apontar o encontro do tema do livro, música gospel, com o que é pregado em nossas igrejas. Aquelas cujos crentes são passivos, cuja maioria não vai à Escola Bíblica, ou que não a possuem estruturada, que vêem a crítica construtiva como ‘ir contra o ungido de Deus' (sendo que a crítica sempre foi tão importante para o Cristianismo reformado), igrejas que desejam um povo homogêneo para obter maior controle dos fiéis, essas não fomentam o senso crítico. Para sair disso, é preciso deixar de ‘divinizar' o ser humano, as músicas e o que se faz dentro da igreja. A igreja universal possui como cabeça a Cristo, a igreja local possui como cabeça os seus líderes (que podem ou não estar ligados ao cabeça da Igreja, Cristo).


Como tornar a música um instrumento de evangelização mais eficaz?
A evangelização é eficaz se a mensagem for eficaz, por isso temos de resolver o problema das mensagens da música gospel. Uma música segundo o gosto das multidões, como é feita hoje, só integra às nossas igrejas mais freqüentadores, e não cristãos genuínos. Uma música que evangeliza eficazmente é aquela que mostra ao pecador a necessidade de sua salvação, sua condição miserável diante de Deus e a graça do Senhor revelada através de Jesus Cristo. Se os artistas estiverem fazendo músicas com jargões e modismos, para as quatro paredes da igreja e para ‘crentes', estarão se separando da sociedade e nunca estarão aptos a alcançá-la com suas mensagens. Por isso, acredito que uma boa forma de evangelização é inserir mensagens cristãs em gêneros musicais que não necessariamente sejam gospel. O músico cristão tem de começar a contribuir para o Cristianismo também dessa forma.


Como as lideranças evangélicas poderiam direcionarem melhor o louvor nas igrejas?
O louvor comunitário a Deus deve ser atemporal, desprovido de condições ou necessidades atendidas. O louvor tem de ser teocêntrico. Esse é o melhor louvor, aquele que louva a Deus por Seus atributos, que nunca mudarão: sua dignidade, sua honradez, sua santidade. Não importa se eu vou vencer, se meus inimigos vão se envergonhar com minha vitória, se eu vou triunfar. Não era esse tipo de canção que os cristãos primitivos cantavam quando eram destroçados por leões nas arenas do Coliseu. Eles tinham os olhos postos no Céu! A principal falha da liderança é não reconhecer isso. O antropocentrismo de nossos cultos, teologias de prosperidade e triunfalismo nos fazem louvar a nós mesmos, nossas conquistas e nossas posses.


Como os ministros de música poderiam contribuir para isso?
A análise crítica das canções que entoamos é fundamental para que se exerça melhor esse papel. Há coisas populares que podem e devem ser usadas também se não trouxerem meias-verdades ou equívocos em suas mensagens. O parâmetro é sempre a mensagem. Seria ideal que cada ministro de música pudesse designar pessoas sob sua liderança, como numa pequena comissão, para selecionarem as músicas a serem tocadas dentro da igreja.


Em seu livro, você propõe que a igreja e os evangélicos promovam uma nova reforma e reconduzam ao centro das vidas o verdadeiro Evangelho. Como a música e os músicos podem contribuir para isso?
Justamente exercendo a sua criticidade, avaliando as coisas que estão sendo feitas e suas próprias ações à luz das Escrituras. Não podemos aceitar em nossas igrejas padrões e modismos que sejam opostos às Escrituras, e aquilo que estiver contra as Escrituras deve ser criticado. A música poderá exercer seu papel na ‘igreja reformada sempre se reformando' na medida em que os músicos estiverem compromissados com esse princípio, fazendo músicas que insiram novamente a Palavra de Deus como única fonte de nossa fé.


Como você definiria adoração? Ela só se dá através da música? Fale um pouco sobre isso.
Adoração hoje é comportamental. O padrão mudou após a vinda de Cristo para morrer por nós. A adoração sacrificial foi substituída por um estilo de vida santo, que agrade a Deus. A adoração é muito maior que a música. É feita em todo tempo através do elo que temos com Deus por meio de Seu Espírito derramado sobre Sua igreja. A música é apenas mais uma forma de potencializar nossos momentos de adoração em períodos que chamamos especificamente de louvor, no âmbito individual ou em comunidade.


A que você atribui a resistência de algumas igrejas em aceitar a dança como expressão de adoração? Qual a importância dessa questão hoje, já que as igrejas tradicionais cresceram sem levá-la em conta?
Atribuo a duas coisas: fundamentalismo religioso e decepção com exageros. Essa é uma questão importante, porque fechar-se no fundamentalismo religioso pode se tornar doentio para uma comunidade e desfocar a visão da essência do evangelho. Já os exageros nas danças observados por aí, como movimentos sensuais e momentos de ‘êxtase' espiritual, desacreditam a dança diante dos nossos líderes eclesiásticos. Espero que essa barreira caia, pois realmente creio que a dança possa ser usada como expressão de adoração nas igrejas.


Como avalia a igreja evangélica brasileira hoje?
Creio que a igreja evangélica brasileira é uma igreja com vocação e responsabilidade missionária. É uma igreja forte, e que possui um real desejo de se parecer mais com Cristo. Falta, entretanto, maior base bíblica para isso. Nossos esforços e toda nossa força como igreja têm sido postos em coisas que nunca vamos conseguir, como orar para o fim do carnaval ou mudar nomes de lugares batizados com nomes de santos... Não temos feito a diferença na sociedade naquilo que tange a valores e princípios, não temos feito muita diferença para mudar a situação de assombrosa violência em nosso país e não temos feito muito para combater a corrupção. Acho que um redirecionamento de nossas forças e virtudes para pontos mais importantes é essencial.


Reflexões Sobre a Música Gospel Brasileira: Um Olhar Crítico

O livro de José Ruy de Castro busca fazer uma análise da evolução da música dita gospel particularmente da década de 80 em diante. Questões como o conceito de música gospel, a importância da mensagem em detrimento do estilo e o papel dos músicos cristãos na evangelização estão no foco do autor. É possível adquirir a obra no site da Arte Editorial (www.arteeditorial.com.br), que o distribui para todo o país. José Ruy mantém um blog para dar continuidade à discussão dos temas tratados no livro com todos que tenham interesse. O endereço é www.reflexoesmusicagospel.blogspot.com .

quinta-feira, 8 de abril de 2010

O EVANGELHO DOS MEIOS

- Sobre o evangelho capenga das canções -

O grande teólogo e avivalista Charles Finney já havia, no século XIX, abordado um assunto ligado ao que eu chamo aqui de “evangelho dos meios”. Entretanto, antes de comentar o evangelho dos meios, necessitamos lembrar daquilo que o próprio autor nos aclara em seu livro “Teologia Sistemática”; o chamado “governo moral”.

 

Temos de falar aqui de lei, necessariamente. As leis que estão ligadas diretamente às verdades primeiras e que não necessitam de provas, principalmente, são as leis físicas ou naturais. Não é necessário provar que eu existo. É um fato absoluto e incontestável. Duvidar disso seria absurdo. Aliás, isso não está ligado ao nosso intelecto para ser provado, como diria Descartes com sua frase “cogito ergo sum”. A existência perpassa isso.

 

As leis naturais existem porque existe um governo natural. Existe uma natureza específica para as coisas da lei física, e o conjunto dessas leis nos remetem à realidade e, por conseqüência, à própria natureza. Não é possível que não aceitemos, por exemplo, a lei da gravidade. Podemos fechar nossos olhos, fingir que ela não existe. Mas isso não muda os fatos. Isso não depende de nós ou de nosso intelecto. Faz parte do governo físico da natureza.

 

Por não aceitarmos o fato que é a lei da gravidade, podemos dizer então que o governo físico é autoritário? De forma alguma. As leis físicas e naturais estão aí para o bem-estar do indivíduo e das coisas que Deus criou e “viu que era bom” (Gn 1).

 

Sigamos agora ao governo moral. O governo moral é composto por leis morais, e a principal característica dessas leis, que as difere das do governo físico, são as sanções. O governo moral só é possível por haver indivíduos morais.

 

A natureza do governo moral está totalmente conectada ao próprio Deus. O fato da existência de Deus só é entendido pela fé. Ou seja, é uma verdade absoluta que só é entendida mediante a fé devido ao fato de que a revelação dessa verdade, aos moldes da discussão sobre verdade de Finney em seu livro já citado, nos é possível através do pré-requisito da fé. Afinal, é necessário que aquele que se aproxime dEle assim o creia (Hb 11.6). De outro modo, isso é impossível.

 

Por não aceitarmos o fato da existência de Deus, podemos dizer então que o governo moral é autoritário? De forma alguma. As leis morais estão aí para o bem estar do indivíduo e do universo. O governo moral abrange Deus e os homens, pois são de natureza semelhante. Afinal, o homem foi feito à Sua imagem e semelhança. Algum homem pode governar moralmente? Sim, se for o mais apto a fazê-lo. Porém, dentre Deus e os homens, é óbvio que Deus seria a pessoa mais apropriada a governar. Sendo assim, o próprio Deus está sob o governo moral exercido por Ele, não podendo contrariar Sua própria natureza.

 

Por haver um governo moral, existem leis morais. As leis existem, como já vimos, não para manter um autoritarismo (se fosse esse o caso, Deus não precisaria estar sujeito a Suas próprias leis), mas para estabelecer o bem-estar de todos os indivíduos. Quando alguém infringe a lei, essa pessoa age de forma contrária ao bem-estar coletivo e está sujeito às sanções da lei de Deus. Mais uma vez, ir contra os fatos do governo moral por mera insubmissão ou rebeldia nos faz tão insanos quanto alguém querendo vencer a lei da gravidade pulando de um avião.

 

Assim, vemos que a própria ética é exatamente a defesa do governo moral, pois dessa nossa defesa e vivência depende o bem-estar dos homens, de Deus, e dos homens para com Deus. O próprio Finney diz que o governo moral é mais amplo que suas leis. Se assim não o fosse, Deus estaria satisfeito com os rituais sem vida e vazios que eram feitos a Ele quando enviou os profetas para falar ao povo de Israel e Judá. Por não estar satisfeito, Deus enviou Jesus para restaurar no coração do homem o sentido da lei e levá-lo ao pleno entendimento do governo moral.

 

Agora sim podemos falar daquilo que é o tema desse artigo: o “evangelho dos meios”. Quero colocar em pauta a nossa conduta como cristãos. Será que temos entendido os princípios do governo moral ou estamos vivendo sob a permissividade da lei, sem atentar ao espírito do governo moral?

 

O evangelho dos meios é aquele que não leva em conta a ética. Sobre isso, nós, cristãos, precisamos aprender muito. Precisamos aprender que tudo aquilo que é para benefício próprio e que pode, pela mais remota possibilidade, prejudicar nosso semelhante é uma ofensa grave a ética e ao governo moral. Sobre isso já dizia Paulo que considerássemos nossos semelhantes maiores que nós mesmos. Fofocas, calúnias, corrupção, compra de produtos falsificados ou uso de drogas (prejudicial à própria sociedade e ao bem-estar dela) são exemplos de afronta à lei que sofrerão as sanções que nela estão ou que o governante moral determinar (caso ocorra uma afronta ao governo que não necessariamente seria uma afronta a uma lei. Lembremo-nos que o governo é maior que a lei, e a lei sem governo é ritualismo vazio e morto).

 

Amigos cristãos, paremos de “baixar” músicas de Internet sem pagar o que é devido pela produção artística. Paremos de trocar por senhas menores as nossas próprias senhas em filas de banco. Paremos de emprestar nossos púlpitos para que nelas sejam repassadas mensagens de apoio político. Ainda sobre política, paremos de nos beneficiarmos de apoio político para a festividade da igreja a fim de barganharmos nosso voto. Pastores, paremos de pensar em nossos membros como meio de elegermos, com o voto deles, o nosso político para dele conseguirmos favores.

 

Em tudo isso, observamos que o fim maior da ética não é devidamente seguido pelo nosso cristianismo. Nosso evangelho tem sido o evangelho dos meios, e não do fim maior, que é a glória de Deus. Temos vivido à margem da lei moral e longe do governo moral e do sentido que deve ter na própria legislação moral. Lembremo-nos que o amor é o maior dos mandamentos e que aquele que não ama não conhece a Deus, como já dizia João em sua primeira carta. Se não consideramos nosso próximo maior que nós mesmos, não amamos nosso próximo como deveríamos e, se não o amamos, não conhecemos a Deus, aquele que exerce o governo moral do universo.

 

E então, será que vamos continuar pulando do avião para testarmos a lei da gravidade?

 

* Referência: FINNEY, Charles. Teologia Sistemática. Rio de Janeiro: CPAD, 2001.

 

José Ruy P. de Castro (ou Zé Ruy)

quarta-feira, 7 de abril de 2010

O EVANGELHO APOSTILADO

- Sobre o evangelho capenga das canções -

Muitas são as pessoas que hoje se utilizam do nosso púlpito, com títulos ou não, para trazer uma mensagem medíocre, difusa e de pouco impacto sobre a igreja. Como seria útil que se utilizasse no meio evangélico mais recursos a fim de que por parte dos pregadores se obtivesse mais estratégias de modo a se alcançar de maneira mais eficaz o auditório! Falo aqui em específico de recursos literários e de um maior conhecimento de grandes autores do cristianismo; não que não se esteja utilizando bons autores para tal, mas que vários autores que poderiam contribuir bastante são deixados de lado ou esquecidos.

 

Quero aqui mencionar palavras de um autor esquecido no meio cristão e, em especial, no segmento evangélico, a respeito da pregação e de como deve ser feita: “Usa-se hoje o modo que chamam de apostilar o Evangelho, em que tomam muitas matérias, levantam muitos assuntos, e quem levanta muita caça e não segue nenhuma, não é muito que se recolha com as mãos vazias”. Padre Antônio Vieira, que viveu no século XV, quer dizer com a frase acima que o pregador que aborde muitos assuntos em seu sermão torna sua mensagem tão difusa que pouca diferença fará na vida do ouvinte, ou melhor, usando a própria alegoria da caça, proposta por Vieira, aquele que tenta caçar demasiados animais pode acabar por retornar para seu lar de mãos abanando.

 

Como essa frase continua atual! Quantas são as igrejas que recebem mensagens típicas do evangelho apostilado a toda hora. O pregador muitas vezes não segue uma linha específica de raciocínio, deixando-se guiar pelo devaneio da mente na ocasião da mensagem. Ou vai dizer, querido leitor, que nunca se ouviu nas nossas igrejas que a mensagem que se ia pregar foi substituída divinamente por outra que não havia sido preparada? Não estou aqui negando a atuação de Deus nesse sentido, mas estou afirmando que em muitas ocasiões tal argumento é utilizado como desculpa para a falta de preparo.

 

Esclareça-nos, pois, Vieira, a esse respeito: “O sermão há de ter um assunto e uma só matéria. Por isso Cristo disse que o lavrador do Evangelho [...] semeou uma semente só, e não muitas, porque o sermão há de ter uma só matéria, e não muitas matérias. Se o lavrador semeara primeiro o trigo, e sobre o trigo semeara centeio, e sobre o centeio semeara milho grosso e miúdo, e sobre o milho semeara cevada, que havia de nascer? Uma mata brava, uma confusão verde. Eis aqui o que acontece aos sermões deste gênero. Como semeia misturas, mal pode colher trigo”.

 

Que as palavras do Padre Antônio Vieira venham demonstrar o quanto é necessário melhorarmos como pregadores e o quanto pode ser descoberto a esse respeito nos sermões deste autor. Fica aqui uma sugestão para todos os pregadores e os cristãos em geral que queiram ser engrandecidos pelos escritos de um autor que não merece ocupar o lugar estático que lhe é reservado pela literatura no século XV, mas que, pela atualidade de seu pensamento, deve ser resgatado e utilizado pelos cristãos ainda hoje.

 

* Referência: VIEIRA, Padre Antônio. Sermões Escolhidos. São Paulo: Martin Claret, 2006.

 

José Ruy P. de Castro (ou Zé Ruy)

terça-feira, 6 de abril de 2010

LOUVORCÍDIO

- Sobre as canções do evangelho capenga -

- Texto de autoria de Avelar Jr. e extraído do blog Púlpito Cristão http://ow.ly/1v8Gw -

Tente imaginar um grupo de pessoas com vozes e técnica de canto belíssimas e harmoniosas, que cantam músicas que falam do amor de Deus por nós, da mansidão de Jesus Cristo, da maravilha da criação etc., todavia com expressões que parecem refletir a chateação com o valor da conta de luz, a preocupação com a mensalidade atrasada da escola, o incômodo com o sapato apertando, o tédio de um programa de índio, a indignação com a impunidade e corrupção do país, o pavor de quem está se escondendo atrás de uma lata de lixo, testemunhando o assassinato de um indefeso a pauladas e machadadas por um grupo de marginais, ou, ainda, o desespero desta vítima que luta para não morrer.


Acredite, eu já vi coral louvando assim. Quase corri para socorrê-lo, mas tive medo de ser assassinado junto com a música que eles estavam matando por acidente.


Estou escrevendo isto porque não tenho condições de mandar instalar espelhos para que os corais eclesiásticos possam se ver cantando. Acho que prestar atenção nas letras que estão cantando poderá ajudá-los.


Medo.

domingo, 4 de abril de 2010

O EVANGELHO DA PASSIVIDADE

- Sobre o evangelho capenga das canções -

Fico a imaginar aquela mulher do fluxo de sangue (Mt 9.19-22) sem a coragem e ousadia de achegar-se a Jesus e tocar-lhe as vestes. Ela cria que poderia alcançar sua cura através daquele simples toque, que demonstrou que sua fé estava posta na figura de Jesus. Se não tivesse fé para agir dessa forma, muito provavelmente a mulher viveria o restante de sua vida com os mesmos problemas, indo aos mesmos médicos, e obtendo as mesmas respostas; as de que não era possível sua cura. Se não tivesse fé para ter a atitude de tocar em Jesus, a mulher seria mais uma na multidão, e mais uma dos que não tiveram coragem de tocar o Mestre.

 

Não é diferente hoje em dia. Vemos no meio do povo aqueles que vão onde Jesus está e não o tocam e aqueles que vão onde Jesus está e o tocam. Aqueles são os que vão à Igreja porque gostam de estar na presença de Jesus, ou perto Dele, mas não fazem nada para estreitar laços com o Mestre, não se posicionando espiritualmente; já estes são os que estreitam seus laços com Cristo e se posicionam espiritualmente, à semelhança da mulher com fluxo de sangue há cerca de dois mil anos.

 

A figura do cristão da atualidade é a de um cristão passivo, contemplativo e mal-acostumado. Primeiramente, devemos fazer jus ao fato de que as Igrejas assim os adaptaram. É interessante notar isso ao se fazer uma análise crítica de quantas são as músicas cantadas nos templos que se dirigem diretamente ao homem, ou quantas mensagens são feitas para agradar o público para que o pregador possa voltar mais vezes. Tudo isso faz com que as pessoas sentem nos bancos no culto e assistam ao “show” que se desenvolve perante elas, ao ponto de saírem do templo e falarem que “o culto hoje não foi muito bom”.

 

Além disso, coisas como “óleo de unção de Israel” ou “plantas para atrair as energias negativas de dentro do lar” são os modernos “amuletos” de muitos. Não é mais necessário tomar uma postura de servo de Deus e orar por cura, é necessário termos o óleo ungido trazido de Israel ou mesmo deixar que a planta que nos foi dada na Igreja faça o trabalho pesado de trazer uma “energia positiva” para o seu lar. O crente, enquanto isso pode, digamos, ficar assistindo TV.

 

Que falar, então, de muitos cultos de libertação? Anuncia-se em todos os lugares a noite do “desencapetamento total” como se fosse um serviço qualquer. Muitos pecam a semana toda, mas no dia do culto de libertação vão à Igreja “descarregar” todos os demônios de seus corpos, por exemplo. Em geral, não existem mais cultos para edificação do cristão a fim de que este possa enfrentar mais bem preparado as tentações que lhe fazem pecar. Se houvessem, o número de participantes seria reduzido, o que não é interessante para determinados pastores preocupados com o número de pessoas em sua Igreja. Opta-se, então, pelo culto que atrai mais pessoas: aqueles que prometem bênçãos, prosperidade e “vida boa”. E assim nossas igrejas ficam abarrotadas de crentes passivos, perpetuando-se a cara do cristão pós-moderno de acomodação e a cara das Igrejas como aquelas que condicionam o cristão a ser desta maneira.

 

Vejamos, então, a necessidade de nos voltarmos à Jesus e tomarmos a iniciativa de toca-lo, como aquela mulher do fluxo de sangue. É necessário sairmos da nossa acomodação a fim de que de Jesus saia virtude a nosso favor. Se Dele não sair virtude, de que adiantam sais, óleos e rosas consagradas?

 

Em suma, minha oração é a de que você, leitor, esteja atento à necessidade de exercitar o poder que lhe foi outorgado por Cristo. Ele disse que nos daria poder para pisar serpentes, escorpiões, expulsar demônios (Mc 16.17-18). Que nos adianta o poder de Cristo, então, se não tivermos a ousadia de usá-lo? Sejamos, portanto, verdadeiros discípulos de Jesus e não mais meros expectadores na multidão.


José Ruy P. de Castro (ou Zé Ruy)

sábado, 3 de abril de 2010

O EVANGELHO DA APARÊNCIA

- Sobre o evangelho capenga das canções -

- Publicado na Revista Comunhão e no portal GospelMais -

Logo que vi a notícia no ar, fiquei pasmo. Não quis acreditar no que vi. No ímpeto do choque corri para o computador a fim de checar a informação na internet e constatei, pelo site G1 (http://g1.globo.com/Noticias/Brasil/0,,MUL24731-5598,00.html. Acesso no dia 24 de Abril de 2007), que ela era verdadeira... e que era eu quem não estava conseguindo acreditar no que lia. A reportagem trata a respeito de um grupo de religiosos no sul do país que quer mudar o nome Garganta do Diabo de uma das quedas das Cataratas do Iguaçu. Vemos, assim, a “objetividade” do Evangelho no Brasil, que produz fatos e lendas (muitas vezes, é verdade) de crentes jogando óleo de helicópteros a fim de ungir cidades, querendo “converter” o Carnaval e, agora, querendo rebatizar uma das quedas das Cataratas do Iguaçu.

 

Chego à conclusão de que, por mais forte que sejamos ou viéssemos a ser, a nossa força está sendo empregada de forma errada! De que adianta nossa força se o objetivo no qual ela é empregada é tão difuso e intangível. Se você discorda de mim, me diga quais serão os frutos palpáveis de se mudar o nome da queda d’água em questão que não seja formada apenas por conjecturas religiosas!

 

Muito me admira o Evangelho de aparências que a Igreja brasileira está vivendo. Enquanto queremos ser reconhecidos como grupo religioso, político, ideológico forte através de ações de visibilidade como esta, nossos líderes viajam com dólares escondidos, participam de corrupção e lavam dinheiro. É o “faça o que digo, mas não faça o que faço”; é querer investir em coisas que nos trazem renome e pompa, ao invés de investir em algo que talvez não traga visibilidade, mas seja bem mais efetivo. Por qual razão esses religiosos não se reuniram a fim de propor uma ação social conjunta, ao invés de propor algo tão tolo e efêmero como a troca de nome da Garganta do Diabo? Tenho certeza absoluta que o amor de Deus seria propagado bem melhor daquela do que desta forma.

 

Por qual razão temos tanta facilidade de nos juntarmos diante de questões desse quilate e tanta dificuldade de nos mobilizarmos em elaborar estratégias para nossas Igrejas? Por que é tão fácil nos reunirmos num churrasco de fim de semana com os irmãos, mas tão difícil de nos reunirmos para um culto de doutrina? Por que é tão fácil nos reunirmos para um retiro, mas tão difícil nos juntarmos para sair e evangelizar em grupo?

 

É necessário que façamos uma revisão em nossos conceitos, igreja do Senhor. Enquanto vidas sem Cristo estão a perecer, estamos querendo trocar nome de cataratas, construir templos faraônicos e colocar o nome de Deus em bandeiras de nossos Estados. Que esse texto tão forte possa servir para desperta-lo como parte importante da Igreja de Cristo, capaz de mudar a história do Brasil com ações mais efetivas e poderosas do que as que geralmente praticamos.

 

A paz do Senhor.

 

José Ruy P. de Castro (ou Zé Ruy)

quinta-feira, 1 de abril de 2010

INAUGURAÇÃO DO BLOG

Saudações a você, visitante (e, espero eu, a partir de agora, leitor)!


Esse blog é dedicado ao assunto de meu segundo livro, intitulado "Reflexões Sobre a Música Gospel Brasileira: Um Olhar Crítico". O propósito de sua criação é 1) continuar discutindo o assunto, 2) permanecer escancarando as deficiências nas mensagens da música chamada 'gospel' como forma de denúncia e de contribuição à auto-reforma religiosa proclamada por Lutero e outros reformadores, 3) apresentar aquilo que vem sendo feito em música cristã, que seja original e que, portanto, fuja dos moldes e do conceito de música 'gospel' que se estabeleceu e 4) ter um contato mais direto com os meus leitores.

 

Quanto ao layout do site, por ser meu primeiro blog no Blogger, ainda estou descobrindo algumas coisas e é possível que ocorram modificações na aparência do blog. Espero eu que as alterações sejam sempre para melhor. Até então, só estava acostumado ao Wordpress. Aliás, mantenho um blog lá de poesias em inglês. Caso queira me visitar por lá, acesse http://joseruypc.wordpress.com


Se você também é defensor de uma música 'gospel' mais cristã, divulgue a existência desse blog.

 

Deus abençoe,

 

José Ruy P. de Castro (ou Zé Ruy)